Levanta-te

"Isso tudo aqui é muito lindo ... Mas não sou assim,
sou o que falo quando não penso pra falar."

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Caminhava no abismo
E a lua, sempre atenuava-se impetuosa...
A mostrar o caminho...
Retalhos da morte, que geravam vida

Seguindo o caminho oculto
Que em meio a este Leste
Silenciava todos os medos...
Outrora, frio e griz nesta calçada

Cada meado de vento
Cada noite desperto
Enquanto as sombras se perdiam...
Eu fui jardim secreto, intocável

Sem flores e terra
Sem tons e músicas ou cores
Fui da matilha dos lobos, cuidado pelo invisível
Nada fui, senão a a fresta da porta

Com uma palavra...

Hoje sou apenas a entrada
Deste jardim, que floresce nas noites
E descansa pela luz do dia...
Sonho enquanto vivo...
E tudo realizo dormindo...

Eu sou  as variações do mar...

"Eu sou um pintor, fazendo dessa bagunça uma obra de arte. Eu não admiro nada! Eu sou a matéria prima do mundo."

O sol paira sobre as nuvens. E o vento ecoa como um alarme, trazendo á chuva. Enquanto espero o ônibus, vejo as folhas secas e sinto o vento. O ar gracioso junto ao cheiro de terra molhada. Migalhas de terrenos ocupados por metais que estacionados ocupam espaços hábeis. Os pés cruzados balançam, e me percebo impaciente... Mas o vento que passa é tudo o que preciso! Os anúncios, e cada lustre me mostram o movimento da vida. Entro e pago naturalmente a passagem, sento-me em silêncio e sem precisar me revirar, percebo olhares curiosos pela aparência que sinto ter de ser um fantasma. O estômago ainda revirado pelas cores invisíveis da poluição. O tempo e o espaço, a bravura e a prudência...

sábado, 14 de outubro de 2017

Desossador da morte...

A morte sussurrou em meu ouvido...
Ela espreitava no invisível,
E na passagem do vento, ela tocou minha face
Mórbida e fria...
Fez-me fechar os olhos, eu já estava morto,
Ela queria me fazer viver, ser...
E então me disse;

Desossador da morte és tu, Poeta...

Entrelaçando meu som as pessoas
Não te vejo...
E na tubulação invisível sou eu as caixas
A vida é desenhista, vaga-lume, encanta
Um leve vento a balançar, envio
A tradição que justifica a morte, eu caminho
A te buscar, mas não te enxergo
Teu cheiro é perfume que me afasta...
Caminho a sorrir
Invadindo as luzes, e levanto as taças
Guio cada uma das mãos
E saúdam a mim, a morte, e eu sorrio sem pressa
Transmitindo amanhã o cansaço de mais algum tempo perdido
E a noite inicia mais um novo movimento...
Você, Poeta é;
o olhador de nuvens, sem responsabilidade
Em ser meteorologista!
Então, te tocar, não posso, você;
Desossador da realidade e vivente
Na terra dos mortos...

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Meus olhos, são convés...

O vento que vem desta maré, traz consigo o gosto do salitre que vem do mesmo ar que respiro. Indica-me a distância entre mim e o mundo que não há. Desvendo as paisagens longínquas e variações passam dentro de mim formando versos que fluem num movimento titânico de todos os meus sentidos. Sinto febre e sinto descer de forma aromática o entrever dos sentidos submersos...
Meu coração é como uma pena na destra mão do escritor. Sou uma vila velha e antiga de uma região inóspita, criada pelo tempo desse mergulho, são linhas imaginárias que pintam a minha realidade. Entre praias desertas, falésias e florestas de todas as margens  do meu universo único. 
Sou estranho, estrangeiro e íntimo de mim que une as cores  como sotaque de coisas visíveis de um mundo despercebido. Eu percebi que as estrelas somem ou se perdem, eu não sei dizer ao certo. Porque na marcha do tempo, foi-me revelado que a luz também em sua glória, faz as coisas visíveis sumirem. A imensidão escura, como a margem de uma vida derradeira se vai, porque a luz penetra, alcança. Tenho prazer em sentar-me aqui sozinho refletir e sentir...  Não basta econder-se debaixo  das pontes as águas, elas escorrem, correm. O que fica parado, rói memórias. Éramos, não somos mais! Se o desejo é de ir fundo, o sentido está em caminhar.
E se eu novamente, voltar a me sentar aqui, a sensação já não será a mesma. Tudo que vai passar, terá sido invisível e sorrateiro. A póstuma margem do rio do meu amanhã...

Eu com ela

Podemos ser as pontes suspensas
O fundo do mar
E toda paisagem pintada
Mulheres de ilhas
Madeira de todos os cais
A borda do barco
Água, talvez...
Com ela, sou o recreio
E todas as crianças a lerem
Sentadas no tapete da sala
Às portas dessa biblioteca
Ela me é todos os pássaros
Senta ali fora a me vigiar
Somos um vôo ao vento íngreme
A menina deitada ao chão...
Apinhando  tons que inspiram
Lembra-me ela a sua emoção
De estar e não pertencer...
O destino,
Defronte tinge
Somos a soma do prumo
Depois seremos á chuva
E as escadarias do bairro
Que vamos andar
Sou a fresta
Ela á porta
Juntos, eu e ela
Somos uma viagem
… Sem fim

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A minha alma, ressuscita

Tão baixa nuvem desce
Cobrindo os olhos da realidade
E há um suspense interno
Vazio e inóspito em sua profundidade

Os papéis sobre a mesa, a ventania lá fora
A morte caminhava na minha varanda
Imóvel sentimento evadido pelo silêncio
Sepulcral estação, passageira minha e invisível

O frear repentino a despertar o asfalto
E eu acordo, a âncora da minha alma...
Perdida a abandonar-me na minha razão
Havia cessado uma guerra atroz

Há uma falta, mas nasce o poente
Daqueles negros olhos quietos
Agora sou uma tela, quase irreal
Que no mundo dos vivos, declina

A existência de uma mera coisa
Que morta, faz nascer a minha vida
A minha alma, me acha, pois estive perdido
Feito de riquezas mortas...

sábado, 7 de outubro de 2017

A tarde fria e inóspita surgiu num deslumbre de lucidez, fazia-me nascer. Tranquilo enquanto eu podia ir tomando posse de mim. Toda influência alheia dos outros e de todas as coisas, haviam partido de mim. Eu ao sentir que podia ter o domínio sobre os desejos, me senti superior ao palhaço que faz sorrir, mas que por diversas vezes, é triste e sua expressão não passa de um silêncio que se veste de máscara a disfarçar. Os outros era tanto a impressão do que eu pensava antes, que reentrei de vez dentro de mim. A vida, havia a princípio me dado uma missão, que era de partir e não pertencer a nada. E depois voltar a esta viagem de encontro a mim. Eu sempre fui uma flutuação, e mesmo que houvesse ar e vento, a minha própria inteligência não me permitia os pés no chão. Porque a vida, manifestava a regurgitação e repugnância. Meu espírito racionalista, não era nada liberal e nem nacionalista.

Eram muitos, e não eram nada!

Eu sem perceber dirigia as aparências de todos os acasos, transformando. fazendo de toda e cada fatalidade, notícia para não ouvir. E eu me libertava de todas as  minhas próprias sensações. Eu ao estudar, notei que naquilo havia uma voz amiga, contrária das malícias e predições. Eu era uma página simples, uma obra inacabada no dia do meu nascimento. Sucedeu que nessa ocasião a parte, nada veio a repetir, e a transição frequente daquela flutuação, representava a minha primeira tentativa antiga em libertar-se de mim mesmo. Eu me tornei uma linguagem comum, compreendendo minha própria sensibilidade. E hoje eu sei quem eu sou, e todos os sonhos que me restam, são trechos do meu destino.

Eu

Sou inspirado pela filosofia, não tenho faculdades poéticas das palavras e dos sentidos todos pelas matérias. Eu gosto de admirar a beleza de cada coisa que é póstuma. Eu tenho a sensação de sempre descortinar  o imperceptível e invisionável. A alma que é o sentido da vida, poética de um corpo leigo de seus prazeres absurdos. O universo é uma terra morta, de eras passadas. Em tudo há poesia e filosofia, porque há poetas que falam das paixões e outros de suas tristezas mais profundas. Alguns metem os romances pelos caixotes sem amarras e dizem que a vida é sinônimo de dor e sofrimento. Eu gosto da margem do rio, do mar, porque ninguém pode negar que é meu! Eu acho evidente que o lugar que venho a me sentar num instante qualquer, naquele momento ele pertence a mim. A trepidação das engrenagens que movem o mundo atravessam como um bisturi a pele, causando a hemorragia que vasa a alma.  Eu acho ridículo ter de me tornar um operário para fazer funcionar o carro que poderia eu dirigir. E por toda a vida, mover as mãos e direcionar um volante, que mesmo quê não perca o controle, é condição do acidente do outro. Tenho esse sentido interno como uma porta que existe para mim, no significado raríssimo da alma que conhece as coisas. Quando o dia amanhece, eu sinto-me belo, porque a beleza das coisas, está no reverso dos olhos. No interior destituído na criação de cada coisa que tem cor. Para mim, não são as mulheres seres celestiais, nem tampouco a companhia de um deleite de sentir e tocar. Olho para os retratos, e é como olhar alguém que passa por mim. Não há recordação, mas a evidência de que tudo passou, como passa. E isso é celestial, não apoderar-se de si pelos desejos. O resultado de tudo que penso, é um horror, um medo demasiado e pouco intelecto. Muitas das vezes meus escritos como projetos não foram concluídos,  porque a vida tem-de-a nos ser passiva, e exterior criamos a imagem de que tudo está no limite. Eu mesmo que nunca tenha pintado um quadro, posso pintar. Porque não posso dominar os outros e me tornar dependente, porque eu quero a transformações das coisas exteriormente!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Amar...

Amar,

É sujeitar-se ao abandono dos pensamentos.
Porque pensar engana, e amar está além de presumir
O amor é o libertar de sentimentos antigos
De coisas vividas antes...
Amar, ah amar...
É não dar as mãos, para que as quatros possam colher
É não desconfiar, porque está tudo certo...
Amar é a condição de aceitar que não
Mas juntos são e tudo transformam
Amar, é não jurar e nem prometer
É descobrir que nossos defeitos podem se ajeitar
Porque vale a pena mudar para que o outro possa se achegar...
Amar é o terno respeito de si para o outro...
Amar, não é querer simplesmente urros de prazer
Amar é a perfeita descrição que nos dá a vida...
Não é um pedacinho de céu que se desfaz
É mar bravio que não faz ter segredos
E com as mãos livres, juntos
Seguram todas as ondas...
E na tempestades, se banham a Amar...
Com o meu amor...
Ao mar me dou sem medo...

A Keile F.

A lua...


A Lua é a mais nobre evidência de que as coisas naturais são as mais belas. E que não há ondas, sem que ela exista. Mesmo apagada... A lua, é vidente, porque fala que sem luz não há sombras. E que o dia está porvir!

O meu amor,
É pela mulher virtuosa que tu és...

(Keile Fonseca)

(Alefe a tu, que muito excede o valor de todos nos rubis
E bete á este amor meu por ti;
Pois meu coração está tão confiado, e jamais necessitará do despojo.)

Faz-me somente o bem, por todos os dias
E não há mau desde os dias de tua chegada
Busca-se a lã e linho para nos vestir
E como navio mercante, nos traz de longe o pão
Levanta-se, mesmo à noite para dar tarefas as tuas servas
Que são teus pensamentos, e distribui alegria
Planta a vinha, com as suas delicadas mãos
Teus ombros são fortes e força há nos teus braços
Provas e vês que bom é o teu amor
E a sua luz,
Não se apaga nem de noite
Ao fuso, estende as mãos
Tu para mim é coberta que me aquece
Sua casa, se veste de roupa dobrada
Sou teu marido,
Quando se abrem as portas
Força e glória, se veste este amor
Sabedoria nos lábios  e a língua se regozija de beneficiência
Bem-aventurado este amor, de não haver preguiça
Louvada seja você,
Mulher que teme ao Senhor
Por isso te louvo com meu canto.