Levanta-te

"Isso tudo aqui é muito lindo ... Mas não sou assim,
sou o que falo quando não penso pra falar."

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sexta-feira, 23 de junho de 2017


O mundo em mim é vazio. E eu em meio ao mundo, não me sinto como parte de nada. Nem dos coletivos, nem de tudo que de tempo em tempo, se desfaz...
Não que eu seja excluso, mas de certo, tenho aprendido a excluir o mundo de todo Mundo, que moderno é. Pois sinto que não sou antigo, mas em mim, habita ainda os modos antigos. Dos quais me tornam ignorante aos iguais, aos incrédulos de si. Aos mortíferos da língua. Do que sei, é que as cores dão nome as coisas, transformam as vias; E desenham em nós, a distância do que temos para tudo que fora do mundo está. Para alcançarmos!
# O exterior nada é senão destroços, tempo que chega e se esvai. Porém, todo interior, inda que longínquo, podemos sentir e viver.
       (Adorável inverno; Fragmentos.)

Ouço o badalar do relógio...

o o badalar do relógio ...

E se estende os minutos
E vou adiante da vida
Do tempo e das horas
Sou eu o assombro
Pois penso o que nem vejo
Assim sou eu o vento
O tempo e o "tique-ta-que-ar"
Deste relógio, já mudo
Pendurado nesta parede
De um cômodo vazio
Que sou eu!
E parte vós diante de mim
Sou a nau desta escuridão
E tu, que de mim se esconde
Faz-me te achar
Neste canto mudo
Cego pelo mundo
Nada em mim, é real
Senão o que está adiante de mim
E chega feito o vento...
Tudo toca, em nada fica
E o badalar volta
A despertar meus sentidos
Pois sou farol, e Tu!
Minha praia.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A terra das sombras


Podemos nós não falarmos do amor
Podemos também diante disso, pensar
Como quem procura entender
E encontrar a razão de nem tudo ser, como é; Porque pensamos

Só quem não erra em refletir
Ser este espelho, diante de nós
Que nos faz enxergarmo-nos
E nunca erra em refletir, porque não pensa, mostra

Sombras são os pensamentos aos olhos
Em que tudo distorce
Assim como o amor falado
Para erra todos os gestos e depois fugir
Dá-me este segundo para refletir;

Prolonga o silêncio
O que te afasta...
Seja isso que és
è tudo que precisa

Jurar amar de verdade?
E depois fugir?
Não é assim...
Tem de ser;

"Separados ou juntos
Insanos ou saudáveis."

domingo, 18 de junho de 2017

(O meu tinteiro

Porque meu tinteiro
São os olhos
Meu corpo apenas um mero movimento
Que por ali passa
Mas estou aqui
E daqui pra lá
Todas as ruas,
São só desenhos
Os muros passagens
E eu a caneta do meu tinteiro...
O meu tinteiro,
Que nada desenha
Senão o sonhar
Sobre todas as coisas
Das que não vejo
Mas faz-me sentir
Coisas das que tudo são
Como cores que sonho
E cria-se o nome
Das máquinas ne engrenagens
O meu tinteiro, sonha
Discerne a realidade pra alma
Pois tudo sou que sinto
Digo que nada sei
Pois nem tudo é;
Como penso ou vejo
Só que em mim,
Quem tudo sabe
É ela, ALMA desnuda
Como bravo mar...
Junto ao meu tinteiro de todas as cores!

sábado, 17 de junho de 2017

Eu sou o amor, porque não falo do amor; sou a razão do que sinto mesmo sem ter. E quando me entrego, me entrego dos pés a cabeça. Porque não sou inteiro, procuro a metade que me completa."

(Póstumo aqui,

Em meio ao sol
Recém nascido
Junto a ventania
Das asas de beija-flores

Como se anunciassem
O caminho
Derradeiro de águas cristalinas
O júbilo que cultiva o jardim

Inaugural manhã
Sol, que saúdo
Confortavelmente a sós
Suspiro o ar que respiro

E plácido me torno a pensar
Na ventania que se foi
Toco minhas plantas e flores
Como um ritual de núpcias.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

"Não nasci assim,

Não nasci assim para amar as palavras
Aquecer o coração e congelar os sonhos
Não nasci assim com o coração mortal
Que sente pelo corpo, e morre no ápice das imperfeições

Não nasci assim repartido para escolher quem amar
Tampouco fingir ser o que se quer possuo
Desejar o mar e naufragar nas ilhas
Vislumbrar teu olhar e me perder nos faróis

Não nasci assim como parte do cortejo as paixões
Que definem os enganos pelas noites
Trazendo incerto amanhã, queima, sente
Não nasci assim, como quem finge amar e machuca

Torna-te lua minha, para que eu seja assim
O sol que te queima quando desce á noite estrelada
Torna-ne a nau para que eu te navegue
Horizontes longínquos e inalcançáveis...

Pois não nasci para te querer, mas te transformar
No oceano que me perco, para te achar
Pois se não nasci assim,
Em ti, me encontro como quero e preciso ser."

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Como se tua chegada fosse o sol em meio a noite escuro. Dobro os pensamentos e me ponho a sentar aqui sobre esta janela como se o vento me fosse tua companhia e chegada. Partindo a nau dos males, faz cantarolar os pássaros, brotar as rosas e faz resplandecer o mais belo campo com teus jasmins. Vestem-se as nuvens de marfim, formando infindável cântico a lua que d'outro lado está. Óh, que lirismo há em meu jardim e se esconde por entre estes arbustos? Melindra chuva foi-se e partiu os medos, os tornando meras fantasias. Desce uma nota, criando formoso e titânico sentimento, voraz e único. Transcende o instante, fazendo esse tempo, profunda e perfeita sinfonia, onde os pássaros fazem a obra. Formosa, fazê de ti horizonte, onde sou plano oculto, que somente adormece para criar a obra, eis que está, onde sou lápis e tu papéis...

terça-feira, 13 de junho de 2017

"Nos amanheceres distantes, podemos sentir a urgência que tem a vida por nós. Nossos corações carregados de sonhos, céus abertos. Enchemos a vida com esperanças, mas devemos nós não afogar nossos corações nelas. Pois a vida nos ensina com urgência, que não temos como dever nos oferecer a sermos a escória, tampouco o que finda as alegrias. Somos uma urgência, e há anos o tempo que por nós passa, quer alterar, não em nós os sonhos. Mas a realidade dos outros. Somos um vento em popa, a nau que desembarca nas ilhas, mas quase nunca queremos explorar a solidão, nos encontrar nas respostas que se ocultam dentro de nós. Ei-nos aqui, prontos para esta urgência, e sem que percebemos estamos indo até o fim. Não sigamos as placas, não sejamos dirigidos pelas notícias. Tampouco vamos rir da desgraça alheia. Olhemos a urgência que tem a flor que quer ser regada, sejamos a fonte, não o poço."

Somos urgentes para a vida!
Somos o clamor da realidade...

segunda-feira, 12 de junho de 2017

# Suspendem os sonhos quando o dia amanhece. Bom seria, se de repente tudo pudéssemos mudar sem o receio de machucar alguém. Que mandar embora, fosse o melhor sentido da volta. Não, não é isso uma declaração. Tampouco uma confissão, é algo que eu quero mostrar e que é diferente! Vou reclamar deste dia, porque eu não tenho uma namorada. Mas vou agradecer por nunca ter acordado ela pelas manhãs frias deste outono e dos invernos que se foram. Embora, seja um dia triste, uns se alegram, mas iludem-se pela ideia de que este dia, é também como o dia de amanhã. Deixa eu fazer diferente, provar não num só dia, mas em todo instante. Estar presente para te ajudar, estar longe para te pensar. E te buscar, em meio a esta singela confissão. Ora, aqui eu recomeço tudo, e te espero como sempre e será. Não há quem me proteja de sentir, mesmo que não tenha a ti, que tanto te sonho. Tenho pensado no quão maravilhoso é o amor, mas melhor tem sido o sono. Porque nele, te sonho a chegar como mais linda e intocável primavera."

( Não comemore o dia. Mas saúde quem esta ao seu lado, todos os dias. E a quem alumia teus pensares, sinta a alma viver, tornando-se válvula do coração, e sentido para os olhos. E os planos engrenagens que ruminam os males. Realiza-se o amor, no presente instante. Não com presentes que se perdem. Pétalas que murcham e perfumes que acabam...

" Somos um reino no mundo...
A realidade de um sonho
O porto d'algum oceano
O céu de muitas estrelas
O caminho de muitas estradas
Á luz de todas ás luas
Á fonte de tantos rios
E ramos de muitos montes
Calor dos diversos invernos
Porta para o mundo De alguém...
    Somos assim então, á janela de nossas almas."

domingo, 11 de junho de 2017

# É que na verdade, sem perceber. Arrisquei tanto conhecer a  mim, em minhas sensações febris, sendo elas muito mais silenciosas do que noites em picos de altas colinas durante as noites mais sombrias. Através dessa absoluta verdade, percebi que para se viver a dois, antes é necessário sermos um. E quando a febre havia aumentado, me sentei no sofá e sem que nada me pudesse me falar, senti que nunca guardei segredos de quem me contou um dia. Mas os meus, estavam todos selados, e ninguém além de meus pensamentos mais profundos, dos meus sabiam. Não havia de ser um segredo a dois, mas um mistério que poderia abrir abismos."